Resenha: A Festa da Insignificância

Autor: Milan Kundera Editora: Companhia das Letras Gênero: Ficção estrangeira, romance Páginas: 136 ISBN: 978853...







Autor: Milan Kundera
Editora: Companhia das Letras
Gênero: Ficção estrangeira, romance
Páginas: 136
ISBN: 9788535924664
Tradução: Teresa Bulhões Carvalho da Fonseca
Classificação: ★★★★☆ (4/5)
Mais informações no site da editora.









Este livro imediatamente me chamou a atenção quando o vi na livraria, por ser bonito e elegante. Capa dura, cinta, diagramação bem feita e papel de gramatura superior. Nenhuma editora esbanjaria tanta produção em um livro ruim, certo?

Eu já ouvi muito falar de Milan Kundera, mas nunca havia lido algum livro dele de fato. Como muitas críticas acusaram A Festa da Insignificância de "não chegar aos pés de A Insustentável Leveza do Ser", achei que seria uma boa ideia começar por este e fazer uma leitura sem comparações.

Logo de início eu gostei muito da forma como o autor escreve. O texto é bonito sem ser rebuscado ou de difícil entendimento; é simples, mesmo contendo outras mensagens nas entrelinhas. Também achei muito interessante o modo como as partes do livro são separadas, como – me explicaram mais tarde – se fosse uma música.

O enredo em si é um pouco difícil de explicar. Os personagens são amigos criados por um professor – aparentemente, o próprio Milan Kundera – e todos os acontecimentos giram em torno de situações do cotidiano, não necessariamente em ordem cronológica. Alguns capítulos se passam dentro da cabeça dos personagens, o que causa uma confusão inicial antes dos pontos se ligarem para fazer sentido.

O problema que eu tive com esse livro foi que, como o próprio autor diz, as gerações que nasceram depois de Stálin pouco se lembram sobre ele. Muito do humor do livro se perdeu no buraco entre o que eu deveria saber sobre Stálin e o que eu realmente sei.

De um jeito ou de outro, eu sinto que a forma como a história é contada, neste caso, é mais importante do que a história em si. Cada página contém alguma reflexão sobre o mundo contemporâneo, algumas não compreendidas em uma primeira leitura.

O último capítulo, em especial, você termina se perguntando "mas o que foi isso que eu acabei de ler...?". Acho que por isso foi o que eu mais gostei.

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12 comentários

  1. Eu jurava que você ia dizer que não gostou... huahauahu
    Não conhecia o autor nem o livro e pelo que entendi, a forma que ele escreve é peculiar (já me interessou!). Ando procurando novidades tanto de autores quanto de escrita e esse tem porte pra isso. Livro adicionado no skoob!

    http://cantinadolivro.blogspot.com.br/

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    1. Pior que é assim mesmo; quando você coloca muita expectativa em um livro, ele raramente é tudo isso. Ainda bem que o Milan Kundera não me decepcionou! A escrita dele é mesmo impecável ♥

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  2. Gostei de tua resenha
    e teu blog deveras inspirador, me apeteces vir aqui logo mais.

    Namárië

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  3. Olá Elisa!
    Conheci o blog hoje e adorei sua sinceridade na resenha. Parabéns!
    Obrigada pela dica de leitura, vou colocar na minha lista ;)
    Beijos
    http://estante-da-ale.blogspot.com.br/

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    1. Obrigada, espero que você goste do livro também~

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  4. Olá!

    Companhia das Letras sempre com capas e títulos maravilhosos! Fiquei curioso em ler esse livro, fora que eu amei a capa e fiquei muito feliz em saber que é capa dura, de verdade <3.
    Adorei também o fato de ter pouquíssimas páginas, o que acaba tornando a leitura mais atraente <3.
    Espero lê-lo e que eu não fique confuso, espero ligar todos os pontos rapidamente.

    Beijos literais,
    Luiz Henrique (Luke)
    instanteliteral.com

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    1. Sim, entre as editoras brasileiras é uma das que mais capricham na qualidade do produto final ♥
      Esse livro é de leitura rápida mesmo, eu só levei dois dias porque comecei a ler já era de noite. Perfeito pra uma tarde de domingo~
      Algumas coisas no livro fazem sentido logo no próximo capítulo, outras você só entende no final, mas pode ler sem medo porque, afinal, em menos de 150 páginas, as dúvidas não podem perdurar por muito tempo.

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  5. Adorei a resenha, me pareceu o livro que nos faz questionar tudo á nossa volta, até nós mesmos.
    Com certeza é um drama que envolve, nos faz refletir e que certamente vou querer ler futuramente.
    Obrigado pelo dica, até mais.
    http://realidadecaotica.blogspot.com.br/

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    1. È um livro que realmente faz pensar. Acho que muita gente não gostou porque é um livro de perguntas, não de respostas. O autor questiona o motivo de alguém se sentir bem ao instigar pena, por exemplo, mas não faz reflexões sobre quais seriam esses motivos. Ele coloca muitas interrogações na nossa cabeça.

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  6. OI Elisa

    Eu já li A insustentável leveza do ser, mas era muito novinha e não lembro nada da história, não foi o momento certo para a leitura, acho que precisava de um pouco mais de maturidade.
    Parece ser um livro um pouco monótono, tive essa impressão. E esse pergunta que a gente se faz no final... Não sei se leria.

    Beijos
    http://mundo-de-papel1.blogspot.com.br/

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    1. Eu ainda não tive a oportunidade de ler A Insustentável Leveza do Ser, mas minha irmã leu e jura que é genial. Talvez tenha sido o momento da leitura mesmo.
      O livro não é monótono não, pode deixar! Por serem vários personagens tendo suas vidas entrelaçadas por ações do cotidiano, várias histórias nos são expostas de forma contínua, até que se juntem no final. O que eu quis dizer com aquela pergunta no final é que ele é completamente surpreendente, não confuso.

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